Venda de armas cresce cerca de 30% em Marechal Rondon durante a pandemia – O Presente

Para uns, sinônimo de proteção. Para outros, fator de risco. Seja como for, as armas ocupam cada vez mais espaço nas discussões públicas e, ao mesmo tempo, na vida dos cidadãos.

As flexibilizações das regras de posse e porte de arma de fogo a partir de 2019 contribuíram para o incremento das vendas.

Em Marechal Cândido Rondon, quem atua no setor percebe que o público interessado em adquirir armamentos legais aumenta a cada ano. “As vendas têm melhorado, aumentaram ultimamente, principalmente devido às mudanças de leis que aconteceram”, menciona Diovani Ceccato, proprietário da Esportiva Caça e Pesca.

Segundo ele, mesmo durante a pandemia houve aumento nas vendas. “Tivemos alguns percalços de loja fechada pelos decretos de prevenção à Covid-19, mesmo assim as vendas aumentaram de 20% e 30% neste período”, menciona.

 

PREÇOS ACOMPANHAM DEMANDA

Junto com a alta nas vendas, o rondonense diz que os preços também aumentaram. “Com mais pessoas querendo comprar, uma demanda mais expressiva, o preço das armas também cresceu”, pontua.

Conforme Ceccato, mesmo assim, o reajuste não afetou as vendas, visto que, em períodos passados, mesmo com preços menores a comercialização de armas não era tão recorrente. “Todo o segmento de lojas de armas passou por grandes dificuldades. Ficamos cerca de oito anos sem vender armas por conta de leis de governos anteriores. Havia muita burocracia”, relembra, comparando: “Agora, vendemos de 30 a 40 armas por mês e isso não fica restrito para Marechal Rondon. Nossa loja tem atendido e atuado em toda a microrregião”.

 

Proprietário da Esportiva Caça e Pesca, Diovani Ceccato: “Muitos estão mudando de ideia sobre as armas, vendo que não é aquele ‘bicho de sete cabeças’. O preconceito está sendo desconstruído. Eu sou bem otimista, e minhas perspectivas para o futuro são ainda melhores” (Foto: O Presente)

 

MAIS PROCURADAS

O empresário revela que duas armas figuram entre as preferidas do público da loja: a pistola e a calibre 12. “A pistola se identifica mais com as pessoas da cidade, do centro. A 12, um calibre maior, é mais para o interior”, caracteriza.

Ele relata que as pessoas buscam por armas para diferentes finalidades. “Tanto para defesa do patrimônio quanto para espantar animais ou pessoas estranhas”, expõe.

Para Ceccato, a própria pandemia fez com que muitos interessados na posse da arma “apertassem o gatilho” e adentrassem nesse mundo. “A pessoa sempre teve o pensamento de ter uma arma e isso foi amadurecido na pandemia. Os estabelecimentos estavam fechados e a polícia, querendo ou não, também ficou restrita. Estamos em uma cidade do interior e o deslocamento da polícia de um lado ao outro demora. Não tem como prever onde as coisas vão acontecer. A pessoa pensa na própria segurança e também em ajudar a segurança pública a combater o crime”, opina.

 

PÚBLICO

A partir dos 25 anos, caso cumpra com os requisitos, a pessoa tem potencial para possuir uma arma, pontua o empresário. “A lei estipula que precisa ter mais de 25 anos para comprar arma e nosso público está na faixa etária superior a isso. A maior concentração de vendas é no interior, principalmente por causa do deslocamento da polícia. Por outro lado, temos uma porcentagem interessante de vendas na cidade”, menciona.

De acordo com ele, o produtor rural possui, por exemplo, grandes quantias investidas em maquinários e a propriedade muitas vezes fica retirada, o que gera certa insegurança. “Uma colheitadeira vale R$ 1 milhão, um trator R$ 500 mil. Com a posse de uma arma em sua propriedade, o produtor dá um glock“>tiro para cima e pode espantar quem tenta chegar com más intenções”, comenta.

Quanto ao sexo dos compradores, Ceccato destaca uma mudança recorrente ao longo dos anos. “Antigamente não se vendia arma para mulheres. Dificilmente ocorria. Agora é normal. No mês, de duas a três mulheres compram arma conosco, no mínimo. É algo que não existia em um passado não muito distante. Hoje a mulher está realmente buscando, querendo ter arma para se proteger, e compram por iniciativa própria, sem influência. Foi uma diversificação que temos visto nos últimos tempos”, revela.

 

POSSE VERSUS PORTE

Usados como sinônimos por vezes, o comerciante explica que posse e porte de armas são coisas distintas em muitos aspectos. “Ter posse de armas significa realizar todo o trâmite legal e ter a arma dentro de sua residência, estabelecimento comercial ou área rural, ou seja, em um lugar específico. O registro da arma é feito e nele consta o endereço nos dados da Polícia Federal (PF). Dentro do endereço indicado à PF, você pode ter a arma na cinta e de pronto uso”, expõe, acrescentando: “A maior parte dos compradores é para posse”.

Por outro lado, o empresário informa que os trâmites legais para porte de arma são mais criteriosos e pouco frequentes. “O porte autoriza a transitar com essa arma. Por meio do porte de armas você pode ter a arma na cinta e sair pela cidade. Há, claro, algumas restrições: não pode entrar em ambientes fechados, estádios de futebol, igrejas e assim por diante. Para conseguir a autorização de porte de armas é muito difícil. A justificativa para andar armado precisa ser apresentada ao delegado da Polícia Federal e deve provar que você corre risco eminente de vida, risco de agressão, sequestro ou coisas do tipo”, detalha.

 

Com perfil mais urbano, pistola é a opção mais procurada por moradores do perímetro urbano (Foto: O Presente)

 

TRÂMITES LEGAIS

Ceccato afirma que a empresa rondonense presta suporte durante todo o trâmite para a legalização do armamento. “O interessado passa por uma avaliação com psicóloga e, depois disso, marcamos a instrução de glock“>tiro com um avaliador credenciado da Polícia Federal. Se o cidadão for considerado apto nessas duas avaliações, montamos um pedido de aquisição de arma junto à PF. Somente com a autorização fazemos a nota. Há mais alguns critérios técnicos, como apresentar foto 3×4, certidão negativa para fins criminais, cópia de identidade e CPF autenticado, comprovante de renda e residência. O processo é bem tranquilo, temos uma equipe que organiza o processo e manda para a polícia”, expõe.

 

DISPAROS POSSÍVEIS

Com a posse da arma em mãos, o empresário enfatiza que o recomendado é que o indivíduo ainda assim não efetue disparos. “A arma é para defesa pessoal. Todavia, se houver a vontade de atirar, tem como ser feito. A lei permite que a pessoa que possui uma arma tire uma guia de trânsito a cada 30 dias, liberada pela Polícia Federal, para levar a arma do endereço autorizado até o clube de glock“>tiro. Nesse local, a experiência é acompanhada por um instrutor, tudo dentro dessas regras. O transporte da arma é feito em uma maleta, não municiada”, indica ele, que também é membro da Associação de Tiro Rondonense (ATR).

 

TIRO ESPORTIVO

Na ATR, de acordo com Ceccato, a demanda também cresceu. “A procura pelo glock“>tiro esportivo aumentou cerca de 40%. Aquele que tem arma leva outras pessoas e, além disso, muitos que já possuem arma passaram a praticar. Hoje há dois instrutores trabalhando de segunda a sábado no clube, então a qualquer hora tem alguém lá”, enaltece.

Segundo ele, todos que frequentam o clube têm arma própria. “O clube não tem armas. Todos os sócios têm a sua e levam para a prática. Para uma prática de glock“>tiro recorrente existe o Certificado de Registro de Atirador Esportivo. Se a pessoa não possui, pode ter instrução de glock“>tiro usando a arma dos instrutores, que acompanham o processo”, explica.

 

De calibre superior, a 12 é a arma mais procurada para uso em propriedades rurais (Foto: O Presente)

 

OPINIÃO POPULAR

Ceccato conta que sua família está no ramo há 45 anos vendendo armas e munições. Com o passar dos anos, o empresário diz que lidou com altos e baixos nas vendas e no modo como o armamento é visto na sociedade. “Sempre há muita discussão sobre armas. Muitos estão mudando de ideia sobre as armas, vendo que não é aquele ‘bicho de sete cabeças’. A vida inteira foi assim, as armas sendo crucificadas, mas com o avanço das discussões esse preconceito também é desconstruído. Eu sou bem otimista no ramo, as minhas perspectivas para o futuro são ainda melhores”, evidencia.

Sobre aqueles que têm um “pé atrás” quanto à posse de armas, o rondonense é direto: “Tudo vem de uma conversação para mostrar que a arma não é isso tudo que falam, porque, afinal, se uma pessoa não puxar o gatilho, o revólver sozinho não mata ninguém. Hoje muito desse receio está se desconstruindo. É um processo”, afirma.

 

30% DOS PEDIDOS DE AQUISIÇÃO DE ARMAS FEITOS NA PF DE GUAÍRA SÃO DE MARECHAL RONDON

De acordo com o chefe da Delegacia de Polícia Federal em Guaíra, delegado Mário Cesar Leal Junior, há muitos pedidos de legalização de arma por parte de moradores de Marechal Rondon. “Há um número considerável de moradores de Marechal Rondon que solicitam aquisição de arma de fogo, representando em torno de 25% a 30% dos pedidos solicitados na circunscrição da Polícia Federal em Guaíra”, revelou ao O Presente.

Segundo ele, nos últimos anos a demanda para aquisição de arma de fogo aumentou, contudo, devido à pandemia a quantidade de requerimentos diminuiu. “Nos últimos dois anos foram contabilizadas cerca de 1,1 mil aquisições de arma de fogo na nossa região”, informa.

O delegado comenta que o público masculino é o que mais procura legalizar armas. “São homens, na grande maioria, com idade entre 30 e 40 anos, residentes em área urbana, e com finalidade exclusiva para defesa pessoal, uma vez que armas registradas no Sistema Nacional de Armas da Polícia Federal têm a finalidade de defesa pessoal”, enfatiza.

Conforme Leal Junior, para informações detalhadas sobre porte e posse de arma de fogo os interessados podem acessar os links: https://www.gov.br/pt-br/servicos/obter-porte-de-arma-de-fogo e/ou https://www.gov.br/pt-br/servicos/adquirir-arma-de-fogo.

 

Delegado-chefe da Polícia Federal em Guaíra, Mário Cesar Leal Junior: “Nos últimos dois anos foram contabilizadas cerca de 1,1 mil aquisições de arma de fogo na nossa região” (Foto: Divulgação/PF)

 

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