Pochetes, bolsas e armas!

Pochete saque rápido e bolsa à tiracolo… Quando entrei para a polícia, conheci quatro produtos: o coldre panqueca, o coldre Small of Back, o de tornozelo e a famosa pochete saque rápido (eram os anos 90). O vendedor demonstrou, com perícia, como a pochete funcionava bem. Disse que o fecho era importado e nunca travava. Ele colocava um revólver pequeno dentro dela e num piscar de olhos a arma estava na mão dele. Então comprei duas pochetes, uma cinza e outra preta, afinal essas cores combinavam com tudo.

Apesar de ter um revólver Taurus 85 .38 SPL, eu usava uma Glock 19 Gen2, que não coube na pochete. Mas eu apenas soube disso quando testei o produto em casa. Dizem que a inteligência tem limite, mas a burrice é infinita. Aplicando esse ditado, encontrei um modo de encaixar a pistola dentro da pochete. Como? Colocando a arma inclinada e de cabeça para baixo (com o alojamento do carregador voltado para cima e o cano num ângulo de 45º para baixo).

Conhecendo a deficiência da forma como eu “transportava” minha arma, eventualmente treinava o saque rápido com a pochete. Na maioria das vezes o saque dava certo e isso me deixava tranquilo (a burrice continuava ilimitada). Dois anos depois fui transferido para Belo Horizonte e integrei a unidade de repressão a entorpecentes.

A presilha plástica da pochete cinza já havia quebrado, mas eu consertei com super cola (o universo é infinito). De qualquer jeito, eu ainda tinha a pochete preta. E foi com ela que participei de uma operação policial.

Equipe pronta; porta arrombada; policiais entrando… e a porcaria da pochete não abria. Para não atrapalhar a entrada dos colegas que estavam atrás de mim, sai da formação para sanar o problema enquanto pensava: “Abre, sua filha da …!” Mas ela não me ouviu e só colaborou quando a parte emocionante da operação já havia acabado.

Quando finalmente entrei na casa dos traficantes, eles já estavam algemados. Novinho… fui incumbido de preencher a papelada. Perdi a parte da adrenalina e passei o resto da operação preenchendo formulários.

No dia seguinte, quando voltei para a unidade, abri a lixeira e joguei as duas pochetes lá dentro. Um colega viu a cena e disse: “Você tá doido?! Me dá isso pra eu guardar meu revólver!” Oh Deus! Salve essa alma penada também!

Vinte anos depois, durante uma missão na fronteira, me matriculei numa academia de musculação. E lá vi um policial carregando uma pochete pra lá e pra cá enquanto usava os aparelhos. Ele transportava a pochete pela alça, como uma sacola de supermercado. Dentro dela havia um revólver.

Então, eu listo cinco razões para você não utilizar esse tipo de material:

Se você for assaltado, a primeira coisa que o ladrão vai pegar é a sua pochete. Se ele tiver perspicácia, vai perceber o peso e a rigidez da bolsa. Ele pode abri-la ou não. Se não abrir, você vai ficar sem a sua arma. Se abrir, ele verá sua arma. E o que ele vai fazer em seguida só depende dele ou do comparsa. De novo, você vai ficar sem a sua arma e talvez sem a sua vida. Se sua arma incomoda demais a ponto de forçar você a usar uma bolsa ou uma pochete, faça um favor a si mesmo e deixe a arma em casa.

Se apenas levantar a camisa e sacar uma arma já pode apresentar dificuldade, imagine encontrar o fecho da pochete, agarrá-lo com precisão, abrir quase todo o zíper usando os dedos indicador e polegar da mão não dominante (reativa, fraca, de apoio) e empunhar a arma. Uma das primeiras coisas que vão para o espaço durante uma situação de vida ou morte são as habilidades motoras fina e complexa; exatamente as habilidades motoras que você precisa para abrir uma pochete, bolsa ou outro compartimento.

Como o tamanho da pochete tem que ser compatível com a sua arma, você pode ser tentado a transportar uma arma pequena sem carregador reserva ou speed loader. Além disso, pode ser que você queira guardar outras coisas na pochete (carteira funcional, chave do carro, etc). Ou então você vai carregar uma “mala” pendurada na cintura.

A presença da pochete pode indicar que você tem uma arma ou é policial. E isso vai transformar você num alvo preferencial se os bandidos quiserem ganhar uma arma de presente.

Por último, mas não menos importante, as pochetes estão FORA DE MODA.



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