Mais de 10.700 americano já foram mortos este ano por armas de fogo

Os Estados Unidos fazem face a uma onda de violência com o uso de armas de fogo que está a causar alarme ao mais alto nível e que o presidente Joe Biden descreveu já há uns meses atrás de uma “epidemia de violência com armas de fogo”.

Este ano já morreram 10.731 americanos vítimas de armas de fogo, isto sem contar o número de suícidios com esse tipo de armas, revelam estatisticas da organização GVA (Gun Violence Archive) que mantem estatísticas sobre a questão

Geralmente os grandes jornais americanos só dão grande cobertura a assassinatos com armas de fogo quando isso envolve um ataque em que um número elevado de pessoas é morto ao mesmo tempo, como foi caso de quando oito pessoas foram mortas a tiro num local de massagens na cidade de Atlanta na Georgia em Março deste ano. Isso salta para as paragonas dos jornais de todo o mundo

Mas uma leitura mais atenta dos jornais americano revela, muitas vezes em noticias de dois ou três parágrafos enterradas nas paginas interiores, números que em qualquer outro país do mundo seriam também primeira página dos jornais.

Chicago tem fins-de-sema mortíferos

Por exemplo: Este fim de semana que acaba de passar 11 pessoas foram mortas a tiro em incidentes diferentes na cidade de Chicago. Um total de 40 pessoas foram atingidas a tiro.

No fim de semana anterior 108 pessoas foram atingidas a tiro 17 morreram.

No total do país, nesse fim de semana em que os americanos celebraram o dia da independênci a 4 de Julho, pelo menos 180 pessoas moreram em mais de 400 incidentes envolvendo armas de fogo

Em Los Angeles o número de assassinatos com armas de fogo já subiu 25% este ano. Em Nova yorque este ano ja foram mortas a tiro 225 pessoas. E assim por todo o país.

Em Washington pelo menos 98 pessoas já foram mortas a tiro este ano e uma olhada à terceira pagina da secção Metropolitana do Washington Post tem sempre noticias de um ou paragafos sobre mais um ou outro assassinato. Essas notícias são aquilo que os jornalistas chamam de “fillers” para encher espaço portanto.

Biden reúne com dirigentes locais para discutir possível aumento de recrutamento policial

Ontem o presidente Joe Biden reuniu-se na Casa Branca com entidades policiais, grupos comunitários e dirigentes estaduais e de nível local para discutir planos para se reduzir a violência.

Carl Canon chefe do bureau de Washington do portal noticioso RealClearPolitics.com, disse que o presidente Biden tem seguido uma política de tentar estabelcer controlo na venda de armas e embora “isso tenha que fazer parte das discussões” há algo mais a ter em conta

“Não se pode deixar de pensar que parte disso são os cortes orçamentais a departamentos da polícia em muitas destas grandes cidades, a escoriação da polícia, a moral baixa da polícia. Há uma componente com a aplicação da lei relacionada com isto”, disse Canon paa quem Biden deveria tentar compromissos com os Republianos para se poder avançar nesta questão.

Sabe-se que contrariando aqueles que na sequência da morte do africano-americano George Floyd por um polícia pediram a redução dos orçamentos da polícia, Biden nesse encontro de ontem discutiu o uso de 350 mil milhões de dólares incluídos no plano de ajuda da Covid-19 para estados e municipalidades contractarem agentes da polícia e iniciar novos programas de prevenção de crime.

Isto numa altura em que há noticias de demissões em grande escala de agentes da polícia e relutância muitas em intervirem devido a recearem acusaçõles de abuso de poder e outras.

Analistas fazem notar que o presidente Biden tem a necessidade de se envolver nesta questão porque a subida do crime é uma área onde as sondagens indicam que o eleitorado americano tem uma opinião negativa do presidente e os Republicanos planeiam usar isso nas eleições legislativas que se aproximam.

Constituição e descentralização de poderes complicam problema

Mas claro está que a questão das armas de fogo é uma situação deveras complicada.

A constituição garante o direito dos cidadãos americanos a possuírem armas e isso complica-se ainda mais porque a alicação desse princípio varia de estado para estado e dentro dos estados de municipalidade para municipalidade.

Comprar uma arma na capital americana ou na cidade de Nova Yorque é dificil devido a uma série de requisitos mas no caso de Washington sai-se da cidade uns poucos quilómetros e pode-se comprar uma arma no estado da Virgínia ou no caso da cidade de Nova Yorque sai-se da cidade para uma municipalidade no mesmo estado e adquirir uma arma é mais fácil.

O problema racial

E depois há uma questão que torna todo o diálogo em redor desta questão ainda mais díficil e que foi abordado pelo governador do estado de Nova Yorque Andrew Cuomo que declarou um estado de emergência para a questão das armas de fogo dirigindo 139 milhões de dólares de fundos estaduais para as municipalidades afectadas pela crescente onda de assassinatos com armas de fogo.

O governador disse que a violência com armas de fogo é uma injustica de direitos civicos porque afecta na esmagadora dos casos comunidades pobres africano-americanas ou latinas em que os seus jovens são entre três e dez vezes mais prováveis vítimas de violência com armas do que os seus homólogos de raça branca.

Com efeito se o nível de mortes por armas de fogo estivesse a correr nos bairros ricos das cidades americanas, maioritáriamente brancos, haveria sem dúvida um outro tipo de reacção e não a quase total indiferença.

Carl Canon da RealClearPOlitics.com disse que “se se dirige uma organização chamada “As vidas dos Negros Importam”, (Black Lives Matter) … penso que devemos começar a pensar que todas as vidas dos negros importam não apenas daqueles que foram mortos pela polícia”.

“Homens negros são muitos mais prováveis vítimas deste tipo de crime, desta violência nas ruas do que qualquer outra pessoa e precisamos de pensar nisso nestes termos”, acrescentou.

Isso levanta questões de policiamento em zonas pobres ou de crime o que por seu turno levanta questões de policiamento racista ou de discriminação das medidas de policiamento em relação a outras zonas.

São tudo questões que tornam o problema das mortes por armas de fogo nos Estados Unidos como algo de extrema dificuldade de se resolver como recnheceu um memorando da Casa Branca enviado a dirigentes estaduais e municipais na semana passada.

“Nós sabemos que a subida crime violento nos últimos 18 meses é um desafio complexo e multidimensional para as comunidades em redor do país e que isso requer uma resposta abrangente”, disse o memorando.

E é na procura dessa resposta “abrangente” que jaz a maior dificuldade. Com estimativas de mais de 300 milhões de armas em circulação no país é um problema que parece não ter solução transformando-se num facto da vida a que o país está habituado em maior ou menor escala



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