Jornal argentino levanta suspeitas sobre apoio de Bolsonaro a golpe na Bolívia | Painel Político – Um blog de opinião

O jornal argentino Pagina12 publicou entrevista com Lidia Patty Mullisaca (na foto acima, em destaque), líder indígena boliviana, membro do Movimento pelo Socialismo (MAS) do qual foi vice, que denunciou Jeanine Añez, a ex-presidente que surgiu após o golpe que derrubou o presidente Evo Morales em novembro de 2019, por terrorismo e conspiração.

Na entrevista, Lidia fala sobre o golpe de Estado que foi dado em Morales, e sobre as investigações em andamento no país andino que apura o envolvimento de países como a Argentina, através do governo de Maurício Macri, que está sendo investigado por contrabando de armas para os golpistas, e o presidente do Equador, Lenin Moreno, além da participação direta dos Estados Unidos. Agora também está sendo levantada a suspeita da ajuda de Jair Bolsonaro ao golpe.

“Era um plano para implementar um regime ligado a Washington e multinacionais ávidas por lítio e hidrocarbonetos”, diz o líder do MAS.

“Añez e sua família “tiraram o presidente Evo, democraticamente eleito, para voltar como éramos antes de dar recursos naturais e minerais a estrangeiros, para nos tratar como escravos novamente”, disse Lidia.

“(Jair) Bolsonaro apoiou o golpe de Estado, gostaria de saber como esse homem vai se sentir neste momento porque tantas pessoas morreram no golpe, tantas mulheres viúvas, tantos pais que ficaram sem filhos.”

Evo Morales eJair Bolsonaro

“Apoiar um golpe para matar tantos irmãos, esse é um crime que não pode permanecer assim”, Patty fica indignada ao falar sobre os massacres de Senkata e Sacaba que deixaram mais de 30 mortes e centenas de feridos.

As suspeitas sobre o presidente brasileiro expressas por essa mulher bem informada, que antes de ser deputada era professora e empregada doméstica, são compartilhadas pelo governo da Bolívia.

O porta-voz da Presidência, Jorge Richter, afirmou neste sábado a intenção de colocar a lupa sobre a “ajuda e ajudas (chegadas) do Chile e do Brasil” nos fatos revelados através dos documentos de que Macri é acusado de enviar armas para reprimir a resistência democrática.

Em linha com o Poder Executivo, o chefe da Câmara dos Deputados, Freddy Mamani Laura, expressou a decisão de criar uma “comissão mista exclusiva” para lançar luz sobre um quebra-cabeça que teria várias peças a mais do que as conhecidas até agora.

“Estamos acompanhando os fatos (…) não é por acaso que o homem do Brasil (representante da embaixada brasileira) esteve presente na reunião que planejou o golpe de Estado”, que foi organizada pelo encarregado de negócios americano, Bruce Williamson.

Até agora, não surgiram documentos sobre a eventual cumplicidade brasileira por meio de apoio econômico ou armamentista.

Eu apoio isso é demonstrado no nível político.

Em 12 de novembro de 2019, dois dias após a queda do governo constitucional, Brasília “acolheu” a posse de Añez com quem prometeu “aprofundar a amizade”. Promessa mais que cumprida por Bolsonaro, cujas relações com Morales estavam mais do que distantes.

Brasília nega

O escândalo descoberto através das revelações sobre o embarque de armas por Macri e Lenin Moreno começa a ter repercussões no Brasil.

Na semana passada, o Ministério das Relações Exteriores garantiu que não tinha “registro” sobre o envio de “equipamentos de controle de tumulto” ao governo Añez, publicou o jornal O Globo.

O conteúdo com as informações prestadas por um governo viciado em fake news não basta, as investigações devem ser realizadas porque desde a chegada de Bolsonaro ao Palácio do Planalto, em janeiro de 2019, sua política externa foi marcada pela “desestabilização” de governos populares e progressistas, observa Monica Valente, membro da Comissão de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores.

Assumindo um papel semelhante ao desempenhado pelo Brasil durante a ditadura, quando ele era um peão da política dos EUA na América do Sul, Bolsonaro adotou o papel de polia para transmitir a vontade de Donald Trump. Uma espécie de cônsul honorário e vocacional.

Isso é demonstrado por várias iniciativas do ex-capitão no campo da política externa.

Além de celebrar o golpe na Bolívia, Bolsonaro incentivou e ofereceu bases na Amazônia para a suposta invasão da Venezuela pelos EUA no início de 2019, mesmo ano em que apoiou as candidaturas presidenciais dos uruguaios Luis Lacalle Pou e Mauricio Macri.

Em meio à campanha de proselitismo, ele chegou a prenunciar que, em caso de retorno da “esquerda” na Argentina, com o triunfo do então candidato Alberto Fernández (que nunca apertou as mãos) milhares de argentinos teriam que buscar refúgio e liberdade no Brasil.

Com a mesma abordagem extremista no mês passado, ele semeou dúvidas sobre uma suposta “fraude” nas eleições peruanas e lamentou o retorno do “comunismo” que ele imagina incorporado no presidente eleito, Pedro Castillo.

Leia a entrevista na íntegra no Página12 (em espanhol)



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