Gafe de presidente argentino pode se tornar uma arma para Bolsonaro na política do Brasil | Analítico

Na mesma semana em que os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva divulgam uma nota conjunta em apoio à Argentina nas negociações com o Brasil sobre o Mercosul, o presidente Alberto Fernández declara, citando uma letra de música, que enquanto os brasileiros vieram da selva, os argentinos vieram de barcos.

Fernández se desculpou pelo comentário, que conseguiu carregar em poucas palavras preconceitos contra os brasileiros em geral, indígenas em particular, desconhecimento das novas interpretações que circulam já há algum tempo do processo de colonização das Américas, e por aí vai. Ter se distraído quanto a isso na Era dos Cancelamentos é motivo para se perguntar onde o presidente do país vizinho estava com a cabeça quando disse o que disse. A Argentina está imersa em crises econômica e sanitária. Mas não seria a situação delicada um motivo para seu chefe de Estado tomar mais cuidado com o que fala?

Para o presidente argentino, o pedido de desculpas serve para tentar não complicar ainda mais uma negociação sobre o Mercosul com um governo brasileiro que não tem mais a paciência estratégica que tiveram presidentes anteriores. E para dois destes antecessores, fica aberto um flanco que o presidente Jair Bolsonaro dificilmente deixará de aproveitar para atacar.

A antipatia por argentinos é corrente entre boa parte da população brasileira, e a declaração de Fernández está no nível de uma retórica que Bolsonaro está acostumado a manejar, assim como seus seguidores em redes sociais. Os dois ex-presidentes, um dos quais é provável adversário de Bolsonaro no ano que vem, podem ter tentado o papel de mediadores em uma disputa diplomática e comercial. Agora se arriscam a serem arrastados para um bate-boca de vizinhos. E Lula, a ser acusado, até o ano que vem, de ter ficado no lado errado da briga.

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