Em Manaus, atiradores amadores usam escudo do Exército em outdoor pró-Bolsonaro – Saída pela direita

(Este texto é uma colaboração de Fabiano Maisonnave, correspondente da Folha de S.Paulo em Manaus)

Fabiano Maisonnave

Manaus – Com a complacência do Exército, um grupo de apoiadores de Jair Bolsonaro em Manaus instalou um outdoor em que aparecem usando camisas com o escudo dessa Força Armada.

No centro do cartaz, a frase “O povo armado jamais será escravizado”, proferida pelo presidente durante reunião ministerial de 22 de abril.

Além disso, o outdoor traz o logotipo da associação CAC-AM (Colecionador-Atirador-Caçador), que inclui as iniciais 12ª RM (Região Militar), com sede em Manaus.

Os CACs são pessoas físicas, geralmente associadas a clubes de glock“>tiro, e não entidades. São registrados nas regiões militares do Exército, responsável pelo Sistema de Fiscalização de Produtos Controlados (FPC). Entre outros benefícios, esse registro assegura o acesso a armas de calibre restrito.

A peça publicitária ficou por ao menos três dias na entrada da praia da Ponta Negra, a 5 km do Comando Militar da Amazônia (CMA) e a 1,7 km da 12ª RM, situados na mesma avenida. Diariamente, dezenas de militares praticam corrida ali.

Na manhã desta terça-feira (9), o outdoor foi trocado por outro que mostra apenas uma bandeira do Brasil e a frase “A nossa bandeira jamais será vermelha!”.

Segundo a Lei 6.880, de 1980, “os uniformes das Forças Armadas, com seus distintivos, insígnias e emblemas, são privativos dos militares e simbolizam a autoridade militar, com as prerrogativas que lhe são inerentes. Constituem crimes previstos na legislação específica o desrespeito aos uniformes, distintivos, insígnias e emblemas militares, bem como seu uso por quem a eles não tiver direito.”

Detalhe do outdoor com apoiadores de Bolsonaro

Procurado na sexta (5) pela Folha, o CMA não respondeu se há uma investigação em curso. Disse apenas que “o Exército Brasileiro não possui nenhuma ligação com essa iniciativa”.

A reportagem tentou contatar a associação. Via e-mail, um dos membros, o empresário Rodrigo Andrade, negou conceder entrevista. “Não, caro repórter, Folha de S.Paulo não tem compromisso com a verdade.”

Na página da associação no Facebook, um texto defendendo o direito às armas argumenta: “Não carrego uma arma porque me sinto fraco; eu carrego uma arma porque desarmado e, na frente de três criminosos armados, sou fraco”.

“Com armas, somos ‘cidadãos’; sem elas, somos ‘sujeitos’”, diz outra parte do texto, publicado em 2 de janeiro.

Em outro post, de 13 de novembro, há uma propaganda do Aliança Pelo Brasil, partido que Bolsonaro está criando, com os dizeres “Estamos com o senhor, capitão”. Havia apenas seis curtidas até esta segunda (8). A página tem 118 seguidores.

O presidente tem sido generoso com os CACs. Em 5 de dezembro, a portaria nº 150 do Comando Logístico do Exército flexibilizou vários pontos da normativa anterior.

Um deles dá aos CACs o direito “de portar uma arma de fogo curta municiada, alimentada e carregada” quando estiverem em deslocamento para prática de glock“>tiro, caça ou exposição. Na prática, trata-se de uma autorização para porte de armas.

Bolsonaro prometeu, na campanha, facilitar ao máximo o acesso às armas. Na reunião ministerial, tornada pública por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou: “É escancarar a questão do armamento aqui. Quero todo mundo armado. Porque povo amado jamais será escravizado.”

De acordo com pesquisa Datafolha realizada no final de maio, 72% dos brasileiros discordam dessa afirmação. Apenas 24% dos entrevistados se declararam de acordo com o que disse o presidente.



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