Ameaças de golpe feitas por Bolsonaro se voltam contra ele

Perca tempo, não, dando trela a Bolsonaro só porque ele voltou a atacar a China com a história velha, requentada, de que o vírus da Covid-19 é chinês, criado em laboratório chinês e exportado pelos chineses para os demais países, uma potente arma da guerra biológica e química silenciosamente travada no planeta.

Nem dê trela porque ele ameaçou outra vez baixar um decreto para confrontar a decisão do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a validade das medidas de isolamento social adotadas por governadores e prefeitos no combate à pandemia, uma vez que o governo federal negou-se a fazê-lo lá atrás.

Falta poder a Bolsonaro para bancar tais coisas contra a democracia e o Estado de Direito no Brasil. A Constituição não lhe dá respaldo. A Justiça, por tabela, não dará. Em abril de 1964, os militares disseram sim ao golpe. Em abril último, quando Bolsonaro demitiu os comandantes das três Armas, disseram não.

Foi Bolsonaro, ontem, o golpeado quando o presidente americano Joe Biden anunciou a posição favorável do seu governo à quebra de patentes das vacinas. Para o coordenador do Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fiocruz, Paulo Buss, a mudança de posicionamento dos Estados Unidos foi “surpreendente e histórica.”

No fim de 2020, sul-africanos e indianos apresentaram à Organização Mundial do Comércio proposta de que patentes de vacinas fossem suspensas durante a pandemia. Isso permitiria a produção de doses por empresas de todo o mundo. Nos países mais pobres, apenas 0,3% das vacinas foram distribuídas.

Os Estados Unidos de Donald Trump se opuseram, o Brasil de Bolsonaro também. Para os dois governantes, o mais importante era salvar a economia. Vidas em segundo lugar. Em 2001, José Serra (PSDB), ministro da Saúde do presidente Fernando Henrique, quebrou a patente do nelfinavir, remédio contra a aids.

A morte do ator Paulo Gustavo foi outro golpe em Bolsonaro. O sentimento de tristeza no país cresceu 10 pontos percentuais de terça para quarta-feira, segundo análise de dados da Ap Exata com base em mensagens postadas no Twitter. Passou de 33% para 43%. As menções negativas a Bolsonaro saltaram de 67% para 78%.

A Câmara dos Deputados deu mais um chega para lá em Bolsonaro ao rejeitar na Comissão de Constituição e Justiça projeto que incluía na lei do impeachment a previsão de crime de responsabilidade por ministros do Supremo. Defendido pela deputada Bia Kicis (PSL-DF), o projeto interessava a Bolsonaro.

A macia cadeira de presidente da República pode tornar-se mortal para quem não estiver preparado para ocupá-la, e esse é o caso de Bolsonaro. Fernando Henrique e Lula, por exemplo, souberam desidratar as crises que subiram a rampa do Palácio do Planalto. Fabricante de crises, Bolsonaro só faz inflá-las.

É grande a sua agonia desde que tentou e não conseguiu abortar a CPI da Covid. E assim será até que a CPI termine, daqui a 90 dias. Ela tem tudo para ser prorrogada por mais 90 dias. Mal começou, ali, o strip-tease da gestão desastrosa do governo Bolsonaro no combate à pandemia. O que já se viu até aqui clama a Deus.

Melhor deixar Deus de fora disso. O que já se viu clama aos brasileiros, assustados, tristes, porém inertes.



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